O duelo começou manchado com um abuso: não foi tocado o hino uruguaio, por qual motivo não se sabe. Ato irresponsável, mas que passou despercebido ao rolar a bola. O Santos atacava com alguma maleabilidade, mas com pouca eficiência. Ciscava, ciscava, porém o goleiro uruguaio só foi ameaçado por Elano, em um chute de fora da área e uma cobrança de falta. O Peñarol limitava-se a correr atrás da bola, com suas costumeiras aplicação tática e falta de técnica com a bola nos pés. Nada de diferente das outras atuações. Mais uma vez Martinuccio esteve apagado em campo, apagando toda a força ofensiva aurinegra, limitada a chutões para o ataque em busca do grandalhão Olivera. Esse foi o script do 1° tempo: equilíbrio entre o bom futebol santista e a boa marcação "carbonera".
Ao começar o segundo tempo, me perguntava se veria uma disputa parecida com a do primeiro tempo. Até então, os uruguaios obtinham êxito na tarefa de marcar os destaques santistas, principalmente Neymar. Com os principais jogadores marcados, havia espaço para um elemento surpresa. E ele não tardou a aparecer, na pessoa de Arouca. O discretíssimo volante recebeu passe de letra de Ganso e arrancou pelo meio, limpando dois marcadores e passando a bola açucarada para o chute de Neymar, no canto de Sosa. O gol de início alterava toda a estratégia de jogo dos uruguaios, agora obrigados a atacar. Mas esse não é o estilo de jogo do Peñarol, acostumado a jogar sempre nos contra-ataques. Assim chegaram à final, assim pretendiam disputá-la. Contudo precisavam buscar pelo menos o empate, então a única alternativa era atacar. Isso significava dar espaços para o Santos, que tentou, tentou, e conseguiu marcar o segundo gol em jogada individual do volante Danilo. Belo gol por sinal. Dois a zero, com 22 minutos de jogo. Acabou, certo?
Errado. Diego Aguirre ousou ainda mais nas alterações ao lançar Urretaviscaya e Estoyanoff, deixando ainda mais esposto o time. Era tudo ou nada. Não atacar seria entregar o titulo de bandeja para os paulistas. Mas atacar também significava sofrer com a força ofensiva do adversário nos contra-ataques. O jeito era ficar com a primeira opção, o que deu certo aos 34 minutos: passe de Urretaviscaya, cruzamento de Estoyanoff, gol contra de Durval. Acendiam as chamas da esperança "aurinegra". Zé Love e Neymar ainda tiveram a chance de matar o jogo, emocionante até o útlimo minuto. Cada bola alçada para a área santista rechaçada pela defesa era um alívio para o torcedor. Ao apito final, a tão esperada comemoração: Santos campeão da Libertadores quarenta e nove anos depois.
Mas ainda faltava mais uma coisa: brigar (literalmente) com os jogadores do Peñarol. Os incontidos uruguaios não engoliram a derrota e resolveram descontar na porrada. Felizmente, a festa não foi manchada pelo incidente, e o capitão Edu Dracena pode levantar a taça do tricampeonato santista após a intervenção da polícia por fim ao tumulto.
Que venha o Barcelona!
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