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terça-feira, 19 de junho de 2012

Aliança de Lula com Maluf é culpa do sistema político brasileiro

O país inteiro se chocou ao ver Lula apetar a mão de Paulo Maluf e selar o apoio do progressista à candidatura de Fernando Haddad. A primeira vista, uma grande surpresa; mas se pararmos para visualizar a conjuntura política no Brasil, fica fácil entender o que está por trás de imagem tão intragável: mas passado os primeiros minutos do baque provocado por tal situação, a cabeça volta ao lugar e ajuda a compreender os motivos de tal aliança.



Em pesquisa realizada pelo Datafolha na semana passada, Haddad aparece com 8% dos votos, contra 30% de Serra. O motivo? Um pouco mais de exposição na TV com o presidente Lula. Em troca de mais 1 minuto e meio no horário eleitoral (acredite, isso é muita coisa), o PT sela essa aliança com corrupto Maluf, um clássico "rouba, mas faz", com um eleitorado decadente mas ainda expressivo em São Paulo. Além do tempo de TV (fundamental para um candidato desconhecido como Haddad), Maluf vai garantir mais uma boa fatia de votos para o petista. Atrás desses votos estava Serra, desagradado em perder o apoio de Maluf para o PT.

A questão é: onde entra a ideologia do PT nesta história? Ao meu ver, ela só vai entrar depois de assumido o governo: no momento, ela fica em segundo plano, pois o mais importante é garantir a eleição de Haddad, custe o que custar. Até mesmo uma aliança com Paulo Maluf. Haddad precisa dos votos do deputado, caso contrário eles iriam para José Serra, e aí suas chances de vitória diminuiriam consideravelmente.

É muito fácil para a esquerda oposicionista criticar o Partido dos Trabalhadores, mas a eles faço uma pergunta: o que fariam caso estivessem na situação? E de que forma planejam um dia serem eleitos? Se a resposta for algo como "preferimos perder a eleição a nos sujeitarmos a esse tipo de coisa", alguma coisa está errada.

É claro que o grande número de alianças realizadas pelo PT nas últimas eleições vêm desagradando o eleitor petista, e dando ao partido uma imagem de "vendido". Mas, devido a essa verdadeira orgia pluripartidária, onde partidos são criados à base de interesses pessoais, coligações são montadas com base em necessidades políticas (votos, secretarias, ministérios, tempo de TV), em detrimento das afinidades ideológicas. A aliança com Maluf fere o ego petista, mas política no Brasil é assim: ou você cola com o lobo e vai à caça dos seus interesses, ou faz o papel do cordeiro que berra, berra mas não sai do lugar.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Critério de desempate na Euro é o mais justo

O confronto direto como primeiro critério de desempate trouxe mais emoção aos jogos da Eurocopa. Dessa forma, fica impossível uma eqipe garantir a vaga por antecipação, e permite a equipes massacradas em algum dos dois primeiros jogos sonhar com um lugar nas quartas-de-final.

Fosse priorizado o saldo de gols como critério de desempate, a Rússia enfrentaria a Grécia podendo perder por dois gols de diferenaça, já que goleara a República Tcheca na primeira rodada por 4 a 1. Mas bastou vencer por 1 a 0 e os helênicos comemoraram a vaga para a próxima fase. E os russos, que demonstravam até então um excelente futebol e se credenciavam como as surpresas do torneio, pegaram o avião de volta para Moscou.

NO Grupo B, o mais embolado e difícil do torneio, a situação era semelhante. Alemanha e Dinamarca se enfrentavam, e quem vencesse garantia uma das vagas. A outra ficaria entre Portugal e Holanda, sendo necessário aos holandeses dois gols de diferença. Fosse utilizado o saldo de gols, ia ser um imbróglio danado de saldos e gols marcados. Mas, com esse novo critério, a última rodada se transformou num autêntico mata-mata.

Neste momento, pelo Grupo C, Croácia e Irlanda empatam e a Itália vence a Irlanda por 1 a 0. Dessa forma, avançariam croatas e espanhóis, com os ibéricos na primeira colocação. Mas com o novo critério, a liderança vai para os italianos e os croatas ficam de fora.

A FIFA poderia adotar este critério para as Eliminatórias e a Copa do Mundo. Seria mais justo e transformaria todas as partidas em autênticos mata-mata, pois as equipes entrariam conscientes de que um mau resultado pode ser crucial como criitério de desempate.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A hora de voltar a ser grande?



Essa é a pergunta que os torcedores do Galo e todos os aficionados por futebol se fizeram após o anúncio da contratação de Ronaldinho Gaúcho. Birutice do presidente Alexandre Kalil? Ou um “projeto” ousado para recolocar o clube entre os grandes do futebol brasileiro? Problemas para Cuca? Ou solução para ele e uma equipe carente de grandes jogadores? Vamos a uma breve análise:

O time atleticano parece bom e bem acertado. Mais um trabalho do competente Cuca, um dos técnicos mais injustiçados do futebol brasileiro, que encaminhou uma equipe completamente desencontrada e incompetente a uma grande campanha no segundo turno do Brasileirão do ano passado (o Galo ficou em xxxx lugar) continuando na primeira divisão. Campeão mineiro deste ano, Cuca sofre com problemas na montagem do elenco, como qualquer treinador no Brasil. Mas as perspectivas são promissoras para este campeonato.

O elenco


Os goleiros Renan Ribeiro e Giovanni são uma incógnita. Mas laterais, ocupadas por Marcos Rocha e Júnior César, estão bem-servidas. Na esquerda, inclusive, Júnior César tem a sombra de Triguinho. Parece pouca coisa, mas veja aí quantos times no Brasil tem bons laterais. Pois é. A zaga também não fica atrás: Rever e Léo Silva dispensam comentários. E o execrado pela torcida botafoguense Rafael Marques é um suplente de respeito.

O meio-campo conta com o (muito bom) volante Pierre (um dos pilares da consistência defensiva do Galo no segundo turno do Brasileirão passado), os experientes Richarlyson, Dudu Cearense e Leandro Donizete (este incluso na seleção do campeonato mineiro), além das crias da base Serginho e Filipe Soutto (fiquem de olho neste rapaz, pessoal). A criação das jogadas ficará a cargo de Ronaldinho Gaúcho, junto de Escudero, Mancini e outro jovem muito promissor: Bernard.

Opções para o ataque também não são escassas: André (ex-Santos), Jô, Neto Berola, Guilherme e Danilinho. O que esses cinco têm em comum? Não vingaram em suas incursões no futebol internacional (o que, obviamente, lhes diminui a credibilidade), mas são notadamente jogadores de qualidade, que podem surpreender no campeonato.

Relação técnico-presidente

Como vocês viram, o elenco não é um primor. E o respaldo de Cuca junto à diretoria é alto, muito alto, situação bem diferente de Luxemburgo no Flamengo. Se Ronaldinho Gaúcho entrar em rota de colisão com o treinador, cai o dentuço. Fato.

Além do mais,o presidente Kalil, torcedor fanático do clube, tem muito mais energia e pulso firme que uma Patrícia Amorim claramente preocupada com o ano de eleições, tanto no clube quanto para a Câmara Municipal (ela é vereadora pelo PSDB). A dispensa de Ronaldinho seria um desgaste forte para sua imagem, apesar das travessuras do dentuço. Se o comportamento irresponsável de Ronaldinho se repetir em BH, por outro lado, não vai ter moleza: Kalil e Cuca botam o Gaúcho para fora do clube, e com apoio da torcida.

Outro detalhe interessante foi o pouco destaque dado ao Gaúcho: nenhuma apresentação pomposa, a manutenção da camisa 10 com Guilherme - Ronaldinho utilizar a 49 – e a braçadeira de capitão, um cargo extremamente importante dentro de qualquer clube de futebol e banalizado na Gávea, continua com Rever.

Esse choque de realidade, aliada à vontade de Ronaldinho de mandar um “cala-boca” para Patrícia e a cúpula rubro-negra, podem ser decisivas para um bom desempenho do craque e, conseqüentemente, uma grande campanha do Atlético.

Animem-se, atleticanos. Preparem suas gargantas para entoar “Clube Atlético Mineiro, galo forte e vingador” com mais respeito e orgulho. Um semestre promissor lhes aguarda.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Refletindo sobre a greve

Na próxima terça-feira, às 15h, os professores da UERJ entram em Assembléia para sacramentar uma nada surpreendente greve. Com isso, alunos já lamentam formaturas atrasadas e aulas no verão ensolarado. Outros, porém, consideram a causa justa e aderem aos professores e funcionários, estes descontentes com os baixos salários e as más condições de trabalho. Por outro lado, ventila-se nos corredores que esta greve conta com a presença de partidos, interessados em enfraquecer o governo para as eleições deste ano. A questão central é: a Uerj precisa de mudanças urgentes para frear a crescente perda de qualidade na formação dos alunos. E nós, por nossas vezes, pouco nos preocupamos em entender a situação. Sem perceber

Ontem à noite, por volta das 21h30, saía pelo portão principal da Uerj quando me deparei com um pequeno grupo de estudantes, no que fora um pouco mais cedo uma manifestação. Fui conversar com o cara que tocava o bumbo, e este já cansado do tanto que deve ter batido aquilo ali, me atendeu sem o menor problema:

O que está rolando aqui?
Estamos protestando contra esta universidade, que está uma merda!
É cara, mais uma greve para foder a gente. Vai atrasar a formatura de vários alunos - comentei
Será? Se a coisa continuar como está, daqui há dez anos o nível desta universidade vai estar uma porcaria, como várias outras por ai. A gente tem que pensar no coletivo: não passamos por aqui apenas para nos formar e ponto final. E quem vier depois estudar aqui, como fica? O salário dos professores aqui é ridículo, 500 reais para um cara dar aula! Estuda para caralho para dar
É...as coisas por aqui tem sido “empurradas com a barriga”, observei.
Perguntou qual o meu curso (jornalismo) e se estava satisfeito com as condições da minha faculdade. Respondi-lhe que as coisas haviam melhorado, mas os laboratórios não estavam lá na melhor das condições. Nos despedimos e fui tomar uma cerveja.

O governo se nega a investir os tais 6% da receita tributária líquida na UERJ, UENF e UEZO (esta última, coitada, nem campus tem: as aulas são ministradas em prédios alugados e escolas da Zona Oeste). O bandejão, tão difícil de sair do papel, quando sai não atende à demanda dos alunos corretamente. “Demorei uns 35 minutos para comer lá dia desses”, reclamou um amigo meu. Coordenadores de laboratórios precisam encaminhar projetos para a FAPERJ se quiserem mais recursos para desenvolver a formação prática dos alunos. Professores e funcionários ganham uma mixaria. Enquanto isso...o orçamento do estado não para de crescer.

Enquanto isso, a universidade continua sucateada. E nós, alunos, vamos nos formando como se nada disso tivesse qualquer relevância.

O bate-papo com o aluno tocador de bumbo foi muito útil para despertar minha cabeça, e me fazer refletir um pouco sobre o assunto. Se a greve é justa ou não, depende do ponto de vista. Injusto é a universidade continuar com seus problemas “empurrados com a barriga”. Era questão de tempo ela estourar novamente, e tem muita lógica ela ocorrer justamente no ano de eleições, o momento mais propício para chamar atenção e despertar a curiosidade da opinião pública. E nós, alunos, deveríamos prestar um pouco mais de atenção nos motivos dessa greve. Não digo para apoiarmos, mas pelo menos nos propormos um pouco mais ao debate, para que possam ser formuladas opiniões mais embasadas.