
O rebaixamento do maior campeão argentino não deve ser posto na conta daqueles onze jogadores de ontem, não. Sabe-se que o sistema de rebaixamento na Argentina se baseia numa média das seis últimas campanhas das equipes para decidir o rebaixado diretamente e as outras duas equipes que disputarão a "promoción" contra o segundo e o terceiro colocados da segunda divisão. Os atletas que saíram de campo manchados no último domingo não fizeram campanha tão ruim: o 9° lugar que sacramentou a disputa da "promoción" foi a terceira melhor das seis últimas campanhas dos "Millionários". A fatídica série começou com a lanterna (20º lugar) no Apertura 2008; no Clausura 2009, um 8º lugar deu a impressão de que logo o clube se recuperaria. Mas no segundo semestre, na disputa do Apertura, a 14ª posição jogou por terra o ânimo dos mais otimistas.
O ano de 2010 começou com um 13º lugar, reforçando o risco de rebaixamento.Veio o Apertura, abrindo a temporada decisiva. O River teria mais dois campeonatos para escapar ou cair. Até que os jogadores entenderam bem o recado, garantindo um aliviante 4° lugar. O fantasma parecia ficar mais distante.
Para escapar da degola, o corpo técnico calculava ser necessário manter o quarto lugar do Apertura. A equipe começou bem, somando 22 pontos até a 12ª rodada, quando ocupava a 2ªcolocação. Podia-se pensar até em título! Faltavam mais sete rodadas para torcida e clube largarem o fardo do descenso, bastava manter a boa campanha para todos respirarem aliviados.
Mas ninguém esperava ser aquela a última vitória do clube na temporada. Um a zero sobre o Racing, em Avellaneda, com um gol de pênalti de Mariano Pavone, o artilheiro do time. O mesmo Pavone que marcou o gol de empate no domingo e ,ironicamente, perdeu um pênalti. Sua seca de gols reflete a seca de futebol da equipe. Depois de Avellaneda, foram quatro empates (San Lorenzo, Olimpo, Colón e Estudiantes) e três derrotas, sendo duas em casa, para All Boys e Lanús, e a outra para o Boca Juniors em La Bombonera. Mais uma vez, o River abusava do direito de vacilar.
Time este que fora um hóspede muito agradável no Clausura. Das dez partidas disputadas em casa, ganhou três, empatou três e perdeu quatro. Somou 12 dos 30 pontos possíveis, um aproveitamento de 40%. Baixíssimo para quem luta contra o rebaixamento. Com um aproveitamento destes EM CASA, parecia clamar pela queda.
Ainda assim, não dá para culpar esses atletas. A queda foi reflexo de três temporadas de más administrações e rotineiras trocas de técnico (J. J. López fora antecedido por outros cinco), além de poucas contratações de qualidade. Não tem como explicar o último lugar no Apertura 2008 seis meses depois de se sagrar campeão do Clausura. , Cai um gigante, mas que já prepara o retorno comandado por um de seus jogadores mais influentes: Matias Almeyda deixará os gramados para assumir o posto de treinador do time. Capitão dentro de campo, será general fora dele. A inédita guerra da segundona já começou.
Que não abusem novamente do direito de vacilar.








