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terça-feira, 25 de maio de 2010

Surpresa da Copa: México

Ao meu ver, a seleção mexicana chega a essa Copa do Mundo com grandes chances de uma grande campanha. Tirando os gigantes Brasil, Alemanha, Argentina, Espanha, Inglaterra e Itália, dá para apostar nos mexicanos em uma final, sim. Um time muito bem organizado, onde cada jogador sabe exatamente sua função dentro de campo, com um técnico competente e um dos maiores ídolos nacionais como capitão. Some a tudo isso uma preparação meticulosa e adiantada, com jovens talentosos e jogadores rodados, sendo alguns desse com experiência no futebol europeu.

Javier Aguirre, assim como em 2001, assumiu um México às portas da eliminação. Reverteu o quadro, apostando na convocação de Cuauhtemoc Blanco, um dos maiores ídolos nacionais. Este, inclusive, ganhou a braçadeira de capitão. A expectativa é que jogue seu belo futebol em gramados sul-africanos, conduzindo os astecas a uma improvável semi-final.


Nem tão improvável assim. A equipe mexicana tem jogadores de muita qualidade, que vêm de boas atuações na Europa. Guillermo Franco, Giovanni dos Santos e Carlos Vela prometem infernizar a defesa de seus adversários com muita velocidade e dribles. Ainda tem os zagueiros Carlos Salcido, Ricardo Osório e Franco Rodríguez, liderados pelo ótimo Rafael Márquez. Andrés Guardado e Jonathan dos Santos têm qualidade suficiente para fechar o meio-campo com Gerardo Torrado. O que pesa contra o esquadrão asteca é a baixa estatura de seus jogadores contra a Inglaterra, deu para sentir bem isso.

Aguirre tem tido bastante tempo para preparar e entrosar seu grupo de jogadores. Como a maioria de seus 30 pré-convocados atua no México, foi organizado um calendário especial pela federação para que o Campeonato Mexicano acabasse mais cedo. Pode estar aí o diferencial para uma grande campanha.

Contra uma França mal-organizada, um Uruguai irregular e uma África do Sul desprovida de qualquer talento, as chances de um primeiro lugar no Grupo A são consideráveis. O cruzamento do com o Grupo B será entre Grécia, Nigéria e Coréia do Sul (a Argentina, apesar de todos os problemas, deve ser a campeã do grupo). Passadas as oitavas, que se cuidem Inglaterra, Gana, Alemanha e Estados Unidos - são esses os prováveis adversários. Em mata-mata de Copa, não existe favorito, e Aguirre já avisou que "temos chances de vencer a qualquer um, e chegar longíssimo neste mundial, fazendo a maior campanha de nossa história". Eu acredito.

domingo, 23 de maio de 2010

Os dois lados da moeda

O direito de greve é constitucional, e irrefutável. Refutável, porém, é a conduta dos rodoviários, ao aderirem a uma greve que procederá em diversas complicações para milhões de cariocas. De todos os diversos atores neste jogo político, desde membros do governo, passando por secretários, presidentes e encarregados da Rio Ônibus além, claro, os próprios rodoviários, estes têm a maior culpa nisso tudo.

Ninguém os obrigou a serem rodoviários. Escolheram essa opção por suas vontades. Nada de pensar em culpar a falta de emprego, ou a situação financeira complicada em que viviam e ainda vivem. Desde o primeiro dia em que dirigiram um ônibus, sabiam de suas obrigações com o dever público de transportar, com segurança e pontualidade, os diversos moradores do Grande Rio. Se um médico opera alguém de maneira negligente por que está cansado no seu plantão, ele será perdoado? Não, pois ele escolheu ser médico. Desde o inicio de sua carreira ele soube de suas obrigações.

Não podemos desconsiderar, porém, a situação que é trabalhar como rodoviário, principalmente o motorista. Encarar tráfegos intensos, em onibus deploráveis, jornadas de trabalho desumanas, ter que dirigir e dar troco...Eles têm todo o direito de reclamar, sim, condições melhores de trabalho. Todas as autoridades responsáveis por avaliar periodicamente essas condições, têm sua parcela de culpa. Não fosse a ganância por lucro e o descaso com o ser humano, não precisaríamos aturar essa greve.Mas, ainda assim, isso não os isenta das responsabilidades com o cidadão carioca.

Rodoviários, não se esqueçam: vocês escolheram, seja lá por qual motivo, essa profissão. Mais respeito com o cidadão carioca. E senhores gestores da Rio ônibus, francamente, sejam inteligentes e respeitem os direitos desses profissionais, que assistimos todos os dias ao seu sofrimento no exercer do trabalho. Não deixemos de lado o bom-senso, pelo bem de nossa Cidade Maravilhosa.

Olho neles!

Muito se fala de Lionel Messi neste mundial. O craque do Barcelona e da seleção argentina chega na ponta dos cascos à África do Sul, e é a grande aposta para reconduzir a albiceleste aos tempos de glória. Mas Leo, como o chamam seus compatriotas, não é o único jovem jogador que merece ser observado por críticos e demais amantes do futebol. Eis alguns deles;

Marek Hamsik (Eslováquia): jogador de técnica refinado, vem de grande temporada pelo Napoli, onde forma um tridente de respeito com o argentino Ezequiel Lavezzi (que não vai à Copa) e o italiano Fabio Quagliarela (esse, sim, vai). Hamsik já despertou o interesse de diversos clubes europeus, como Chelsea e Manchester City. Os dirigentes napolitanos, que de bobos não tem nada (a grosso modo...), se recusam a vendê-lo. Os paraguaios que abram beem os olhos.

Nicolás Lodeiro (Uruguai): talentosíssimo armador, se destacou no Nacional de Montevidéu semifinalista da Libertadores, sendo eleito o melhor jogador no Uruguai em 2009. Jogou como titular na fogueira da repescagem ante Costa Rica, e procedeu bem. Chega para a Copa como jogador do Ajax de Amsterdã, onde jogou no inicio do ano.

Lucas Barrios (Paraguai): é argentino, mas vai jogar pela seleção paraguaia. Autor de 18 gols pelo Borussia Dortmund no Campeonato Alemão, foi convocado às pressas no lugar de Cabañas. Tem boa técnica e faro de gol. Se encaixar bem no time, o Paraguai vai dar um trabalhão para a Itália na primeira fase, e para seus adversários no decorrer da Copa.

Claro, não podemos nos esquecer de Di María e Aguero (Argentina), Marchisio (Itália), Carlos Vela (México) e Ramires (Brasil, eô!). Mas esses três eu aponto como surpresas. Abram o olho!

Cada dia mais complicado

Quinta-feira senti novamente orgulho de ser torcedor do Clube de Regatas Flamengo. A vitória no Chile, se não serviu para classificar-nos para as semi-finais da Libertadores, mostrou um time competitivo, guerreiro e com disposição de sobra para topar qualquer parada. Diferente do time sem sal e pouco interessado em envergar nossa gloriosa camisa, que estamos acostumados a prestigiar durante todo o ano.

Porém, me deparo com uma triste noticia assim que acesso à internet: Adriano está fora do Flamengo. Triste decisão do Imperador, que não fez jus ao título durante essa temporada. A ele faltaram compromisso e envolvimento com o clube e a torcida, para alçar o Flamengo a mais glórias durante o ano. Ir para a Roma, com certeza, não foi uma boa.

Vai ter que provar, tudo de novo, seu valor no futebol europeu. E em um time, digamos, pouco expressivo na Europa. Parem para analisar quando foi a ultima vez que a Roma ganhou o scudetto? Em 2001. E chegou numa final de Liga dos Campeões? Hum...essa foi difícil, né.

No Flamengo, Adriano teria a chance de tentar o bi-campeonato brasileiro pelo seu clube de coração. Se aproximar de nossos maiores ídolos com essa conquista, além de reconduzir a equipe à sonhada América. De resto, para nós, humildes torcedores, torcer para que Vágner Love não se vá, e que Denis Marques comece a jogar bem. POrque não tem como confiar que essa diretoria incompetente vai trazer algum atacante que preste para o lugar do "Imperador". Enquanto isso, serve de consolo a honrosa atuação em Santiago, e o sonho de que aquilo se repita num futuro próximo.

domingo, 16 de maio de 2010

Valorize sua paixão pelo futebol

O maior celeiro de craques do futebol mundial enfrenta, há alguns anos, crises em seus clubes. O Campeonato Brasileiro está cada vez mais fraco tecnicamente, com pouco público e totalmente entregue aos interesses comerciais. Mantendo esse ritmo, em pouco tempo viveremos o paradoxo de ter a melhor seleção de futebol, mas as torcidas menos apaixonadas. Venda de jogadores precoces, submissão aos empresários, menos torcedores nos estádios e investimento mal distribuído são as principais fontes do problema.

Impossível, no futebol contemporâneo, um clube brasileiro de sucesso repetir sua escalação por mais de duas temporadas. Qualquer jogador que se destaca rapidamente é negociado! Com os clubes sempre endividados, sem condições de oferecer salários compatíveis com o mercado internacional, o atleta facilmente é seduzido por qualquer proposta em euro ou dólar. Se fica no Brasil, geralmente é porque algum empresário investe em seu futebol, bancando parte ou a totalidade dos salários. Coloca-se a mercê do empresário, que o repassa na primeira proposta julgada atraente, seja bi ou unilateralmente. O time fica sem o craque (craque...), a torcida fica sem o ídolo, o atleta não cria identificação com o clube e o empresário, claro, sai ganhando.

Com isso, é normal o torcedor ir desanimando com o curso do campeonato, ainda mais se seu time está vencendo. Torna-se complicado vibrar com cada gol do seu artilheiro, cada drible do craque atrevido; uma vez despertado o interesse dos europeus, árabes ou asiáticos, esse jogador vai embora. Então, o torcedor pensa: para que ir ao estádio, pagar um ingresso caro, não ter conforto, ver um jogo ruim tecnicamente (afinal, o time está enfraquecido) e um time sem raça, sem amor à camisa? Vou ver na TV! Gabam-se as emissoras, aproveitando da situação para oferecer "conforto e qualidade" nas transmissões. Fica o estádio vazio, e o bolso das emissoras cheio, cheio...

Além de tudo isso, o dinheiro que pinga na conta dos clubes é mal distribuído: vai uma parte para pagar dividas, outra para pagar altos salários, e uma fatia (geralmente, bem gorda) para a conta dos dirigentes. Nada de investimentos em infra-estrutura, sonho de consumo de qualquer atleta hoje no futebol brasileiro. Mau desenvolvimento nas categorias de base, mal desenvolvimento do time profissional...maus resultados em campo. Óbvia essa equação!

É complicado se traçar um prognóstico, mas mesmo assim me arrisco a dizer que nosso campeonato local em pouco tempo estará minguando como os demais campeonatos sul-americanos. Times grandes são obrigados a aceitar refugos de outras equipes, montando plantéis sem qualquer brio e identidade. Perde-se a noção do que é vestir uma camisa do Flamengo, Botafogo, Palmeiras, Vasco, Atlético Mineiro e tantos outros. A paixão do torcedor é cada vez mais desvalorizada com tudo isso. Até quando ela vai durar? Isso, só vocês podem responder.

sábado, 15 de maio de 2010

Trilogia Millenium - vale (muito) a pena ler

Ano passado tive o privilégio de ler a trilogia Millenium, do falecido jornalista sueco Stieg Larsson. Os livros são todos muito bons, principalmente porque permitem entrar no universo do jornalismo investigativo de qualidade sem precisar de histórias absurdas e sem sentido. É algo como um romance policial que com estória plausível.

Livro 1: Os homens que não amavam as mulheres

Mikael Blomkvist, jornalista da revista Millenium, é contratado por um milionário da indústria sueca para desvendar o provável assassinato da sobrinha deste. Mikael aceita a proposta, e nesta empreitada que vai se mostrando absurda, conhece a genial hacker Lisbeth Salander. Eles, juntos, desvendam o caso. Final feliz, obviamente. Também, qual seria a graça se fosse o contrário?

Stieg Larsson consegue prender o leitor com uma narrativa tensa e cheia de suspense, na qual fica a sensação de que o próximo parágrafo trará a resolução do anterior, mas na verdade o enigma só se entrelaça ainda mais.

Para deixar o texto mais rico, Larsson detalha cena por cena - por isso o livro ser tão grande - permitindo uma visualização por parte do leitor, aguçando a criatividade e envolvimento deste com a trama. Vale destacar ainda a visão romântica que Larsson tem do jornalismo. A revista Millenium se constitui em desvendar grandes fraudes, golpes e abusos de poder na sociedade sueca, sendo por isso temida e agredida por poderosos de todo o Reino da Suécia. Composta por jornalistas altamente íntegros e imparciais, Larsson procura resgatar a verdadeira função do jornalismo, dentro de uma sociedade corrompida pelas tentações capitalistas, o que acarreta em uma imprensa muitas vezes omissa e corporativista. A verdadeira missão do jornalista como profissional perante a sociedade, que é a de mostrar a verdade nua e crua dos fatos, fica explícita no desenrolar na missão de Blomkvist e na produção da Millenium. Blomkvist, inclusive, é processado por um mega empresário sueco (Hans Wennestrom) após publicar na revista uma matéria especial sobre as fraudes deste. Blomkvist perde. Aparece aí mais uma vitória do grande capital sobre a liberdade de imprensa.

Portanto, fica a dica. A leitura é deliciosa, principalmente para quem é estudante de jornalismo ou simpatizante da área. E quem não se encaixa em nenhum desses grupos, leia também. Com certeza vai querer fazer parte de um.

No próximo post, o livro 2!!

Boca Vieja

Como pode o maior bicho-papão das Américas fechar o campeonato local na 16ª colocação? Pois é, o antes temido Boca Juniores agora não passa mais de uma boca velha e desdentada. Nem disputou a Libertadores deste ano...Fechou o Clausura perdendo de 3 a 0 para o Banfield.

A única coisa que tem seus torcedores para se orgulharem é que Martín Palermo, maior artilheiro da história do clube (de acordo com o site oficial do clube, já são 220 gols com a camisa auriazul), tem boas chances de jogar a Copa mês que vem.

Boa sorte a Palermo...e ao Boca na próxima temporada

terça-feira, 11 de maio de 2010

"El loco" Maradona

Não é surpresa para a imprensa mundial que Maradona é uma piada como técnico. Isso se confirmou na lista de convocados para a Copa.

Deixar de fora Javier Zanetti e Esteban Cambiasso não teve o menor sentido. Jogadores de grife, que vêm batendo um bolão em gramados italianos. Inclusive, são finalistas da Champions League! Que técnico do mundo deixaria de fora de sua seleção jogadores dessa tala? Só Maradona mesmo...



E a convocação de Martin Palermo? Confesso que também o convocaria, mas não tendo a minha disposição os artilheiros do Campeonato Espanhol - Messi e Higuaín - além dos talentosos Aguero e Tevez, e o artilheiro Diego Milito, companheiro de Cambiasso e Zanetti na final européia. Não há necessidade de levar mais de cinco atacantes.

Maradona chega à África do Sul pouco respaldado e visivelmente cheio de dúvidas na armação do time. Sua dupla de zaga não está certa, basta lembrar da partida contra o Brasil em Buenos Aires. Otamendi e Sebá DOminguez eram os xerifes no jogo em questão, e este último sequer foi convocado. Ora, creio que contra o Brasil, Maradona escalou o que julgava ter de melhor, certo?

Problemão segue na lateral-esquerda. Não julgo Heinze capaz de jogar por ali contra seleções mais encorpadas. Ao menos que "El Pibe" saque de sua prancheta um talento entre suas convocações de jogadores locais (Pastore, Insaurralde, Rodríguez e Mercier) para preencher o setor à altura da albiceleste.

No mais, o time é muito bom. Num torneio curto como Copa do Mundo, o fator Maradona no relacionamento diário com jogadores, inclusive nas preleções, deve pesar. Qual desses jogadores não ficaria orgulhoso e emocionado vendo o maior ídolo da história de seus país dizer "vamos ganar la copa, ustedes son los mejores, ni que mueran en campo, seremos campeones" etc?

Maradona é meio louco, e sua loucura envolve, inclusive, um pouco de magia. Acredito que vejo os hermanos dia 11 de julho, diante do Brasil, em Johannesburgo.

De resto, a convocação foi boa. F

Ah, Dunga...

Como todo brasileiro, discordo da lista de nosso bom treinador. Alguns jogadores ali não mereciam ser convocados, e tem gente de fora que não podia perder o vôo para a África do Sul. A começar por...

Kléberson! Bom jogador, campeão do mundo em 2002, experiente...Mas de futebol razoável. Bem razoável. Diria que, para fazer essa função de segundo/terceiro homem de meio-campo, já temos o ótimo - sim, ótimo- Elano e o excelente Ramires. A diferença: Ramires é mais habilidoso e rápido, bom para puxar contra-ataques. Elano tem mais qualidade no passe (talvez, tirando Kaká, seja o melhor passe desse escrete canarinho) e visão de jogo. Coisas que faltam ao nosso Kléberson.

Grafite! Bom jogador, artilheiro e campeão na Alemanha. O que foi bem difícil, considerando que seu Wolfsburg não possuía tradição alguma antes de levar a Bundesliga. Bom jogador, mas nem se compara a Adriano. O respeito, força e qualidade que Adriano impõe dentro de campo é de amedrontar qualquer defesa mundial. E quanto a essa história de ele estar fora de forma, não serve de desculpa. Com um mês de preparação, veríamos nosso Imperador voar nos gramados sul-africanos.

Michel Bastos...esse aí foi bem quando chamado. Andre Santos não convenceu, Kléber não convenceu, e esse correu por fora na hora certa. Só acho que valia insistir mais com o talentosíssimo Marcelo, do Real Madrid.

Bom, é isso: Ganso no lugar do Kléberson, Adriano no de Grafite e Marcelo no de Michel Bastos. Mas, de qualquer forma, boa sorte Dunga!