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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dane-se o torcedor.

Logo mais, entram em campo pela Copa Libertadores da América Fluminense e Boca Juniors. A partida, marcada para as 19h30, certamente trará transtornos para os responsáveis pela segurança do local. Com 45 mil torcedores esperados no Engenhão, e sendo o jogo num horário de trânsito intenso na cidade, muita gente vai chegar atrasada, causando tumulto nas roletas e nos arredores. Acidentes e brigas, infelizmente, devem entrar no roteiro do pré-jogo.

As coisas poderiam ser facilitadas se o horário da partida fosse mudado: por que não marcar o jogo para as 21h45, o já tradicional horário das partidas de quarta-feira?

É que nesse horário se enfrentam Corinthians x Vasco, e as emissoras de TV não querem perder a chance de transmitir as duas partidas. E ponto final.

Foda-se o conforto do torcedor que vai ao estádio.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Colírios Freixo

Assisti ao Roda Viva de segunda-feira com o deputado estadual Marcelo Freixo. Após ser sabatinado pela bancada de repórteres, a maioria ávida (sem sucesso) por colocá-lo na parede, o pré-candidato pelo PSOL à prefeitura do Rio de Janeiro deixou uma certeza: vem para abalar positivamente a política carioca. Como explicitou durante o debate com os jornalistas, ele representa uma nova forma de fazer política: sem coligações interesseiras em troca de minutos na TV e financiamentos mal-explicados, mas baseada em convicções ideológicas, uma reputação incontestável e ares de mudança. Se vai dar certo, carioca, depende de você.

Talvez o maior adversário de Freixo seja a mencionada auto-estima recente do carioca. A euforia cega da população com o atual momento econômico e midiático do Rio de Janeiro – cidade Olímpica, sede da Copa e da Rio + 20 – faz Freixo soar como um mala-sem-alça mais preocupado em falar de desgraças. De fato, o segundo deputado mais votado no estado paga o preço por ser o único a “bater de frente” com a dobradinha peemedebista a frente do Rio de Janeiro, pois prefere ir na contramão da sociedade e questionar os escândalos de corrupção e superfaturamento, mazelas na saúde e na educação ao invés de valorizar o Projeto Olímpico e todas as “melhorias” em curso na cidade. Prefere observar que a construção da cidade está muito mais voltada para os empreiteiros e os turistas do que para a população. Pagamos a conta e enchemos o bolso dos empreiteiros para uma farra da qual não faremos parte.

Se a auto-estima e o orgulho do carioca têm crescido nos últimos anos em função de UPPs, projetos olímpicos e Copa do Mundo, ela deveria estar tão baixa quanto os salários dos professores, o nível dos colégios e hospitais, a qualidade do transporte público, a cobertura de saneamento básico em diversas moradias da cidade. Mas não, preferimos aplaudir o prefeito que vai trazer os gringos para cá, atraindo a atenção dos mais poderosos para cá. É chique sediar uma Olimpíada, cara! É chique sediar a final da Copa do Mundo, apesar de que só vou assistir pela TV... Mas ó, “tamo”ficando importante!

Estamos ficando importantes, chiques e “ricos”. Uma cidade rica para os empreiteiros e turistas, e “rica” para sua população. Não é preciso ser psicólogo para constatar que ao ser humano não precisa ter, basta parecer que tem. O modelo de sociedade midiatizado não busca uma população mais esclarecida, busca um povo cego, consumista e ambicioso por glamour. Da ignorância da população se aproveitam Cabral, Eduardo Paes e seus aliados; contra ela navega o isolado Marcelo Freixo.


Vencendo ou não esta eleição, sua candidatura talvez seja uma oportunidade única de se ampliar o debate político à população carioca, abrindo seus olhos e mudando este sentimento de falso glamour que só não enxerga quem não quer ou quem, infelizmente, já está com a visão comprometida demais. Vai um colírio aí?



sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pelo bem do futebol

Neste final de semana o campeonato inglês será encerrado. Em jogo, uma "vaga" na segunda divisão, vagas na Liga Europa e na Liga dos Campeões e claro, o tão cobiçado caneco de melhor time da Inglaterra. Já escolhi para quem torcer frente à TV no domingo, a partir das 10h45: QPR, Newcastle e Manchester United. A justificativa para o título melodramático vem a seguir.



O Queens Park Ranges, recém-promovido à Premier League, ganhou minha torcida devido ao interesse pela rotatividade de clubes na primeira divisão. Com o Bolton Wanderes, seu único adversário na disputa contra o rebaixamento, há anos fazendo campanhas medíocres, seria interessante que os Super Hoops de Londres tivessem mais uma chance para preparar o elenco e fazer bonito. Mais vale uma aposta à certeza de mais um fiasco dos Wanderes em 2012/2013.






O Newcastle United também escolhi pela rotatividade de clubes, desta vez entre os representantes do futebol inglês nas competições europeias. Da mesma forma que torci para o Tottenham Hotspurs "roubar" a vaga do Liverpool na temporada passada, agora torço para os Magpies deixarem os Spurs de fora. Apesar de considerado pela crítica o melhor campeonato nacional do mundo, a Premier League vem pecando pela falta de competitividade das equipes de segundo escalão frente ao Top 4 (agora Top 5, com a ascenção do Manchester City, o brinquedinho do sheik Mansour Bin-Sayed). Ver o Newcastle entre os quatro primeiros classificados do futebol inglês inspiraria as outras equipes medianas, despertaria o adormecido Liverpool e fortaleceria os investimentos no próprio Newcastle, deixando o campeonato mais disputado. Howay the Lads!






E na luta pelo título, escolho o Manchester United por não querer ver mais uma máquina de lavar dineiro ganhando status de super-grande time. Sabe aquele garoto rico que vai brincar com os amiguinhos de corrida e aparece com o melhor carrinho de controle remoto, o que já o deixa com uma larga vantagem perante os demais? Já não bastava o Chelsea ao longo das últimas temporadas fazendo este papel (a despeito da queda de rendimento dos Blues, a era Abramovich é a mais vitoriosa da história do clube - graças ao Abramovich, é claro), agora vem o Manchester City fazer a mesma gracinha. Apesar de o United também ser um time comprado por um magnata, o norte-americano Malcom Glazer, seu poderio nos gramados já data de muito antes. Situação completamente diferente do Manchester City, uma equipe medíocre, sem quaisquer aspirações na Liga, até a chegada de Mansour Bin-Sayed. Espero que o futebol continue em primeiro lugar!




Além da torcida dentro de campo, torço ainda pelo funcionamento do "Fair Play financeiro" da UEFA. Vai ser interessante observar a "potência emergente" e as outras equipes de todo o continente, acostumadas a contratos exorbitantes e contas no vermelho, montar seus elencos sob a tutela de Michel Platini e sua trupe. Para tanto, o título do Manchester United tem ainda mais importância: não permitir que o raio caia duas vezes no mesmo lugar.