O maior celeiro de craques do futebol mundial enfrenta, há alguns anos, crises em seus clubes. O Campeonato Brasileiro está cada vez mais fraco tecnicamente, com pouco público e totalmente entregue aos interesses comerciais. Mantendo esse ritmo, em pouco tempo viveremos o paradoxo de ter a melhor seleção de futebol, mas as torcidas menos apaixonadas. Venda de jogadores precoces, submissão aos empresários, menos torcedores nos estádios e investimento mal distribuído são as principais fontes do problema.
Impossível, no futebol contemporâneo, um clube brasileiro de sucesso repetir sua escalação por mais de duas temporadas. Qualquer jogador que se destaca rapidamente é negociado! Com os clubes sempre endividados, sem condições de oferecer salários compatíveis com o mercado internacional, o atleta facilmente é seduzido por qualquer proposta em euro ou dólar. Se fica no Brasil, geralmente é porque algum empresário investe em seu futebol, bancando parte ou a totalidade dos salários. Coloca-se a mercê do empresário, que o repassa na primeira proposta julgada atraente, seja bi ou unilateralmente. O time fica sem o craque (craque...), a torcida fica sem o ídolo, o atleta não cria identificação com o clube e o empresário, claro, sai ganhando.
Com isso, é normal o torcedor ir desanimando com o curso do campeonato, ainda mais se seu time está vencendo. Torna-se complicado vibrar com cada gol do seu artilheiro, cada drible do craque atrevido; uma vez despertado o interesse dos europeus, árabes ou asiáticos, esse jogador vai embora. Então, o torcedor pensa: para que ir ao estádio, pagar um ingresso caro, não ter conforto, ver um jogo ruim tecnicamente (afinal, o time está enfraquecido) e um time sem raça, sem amor à camisa? Vou ver na TV! Gabam-se as emissoras, aproveitando da situação para oferecer "conforto e qualidade" nas transmissões. Fica o estádio vazio, e o bolso das emissoras cheio, cheio...
Além de tudo isso, o dinheiro que pinga na conta dos clubes é mal distribuído: vai uma parte para pagar dividas, outra para pagar altos salários, e uma fatia (geralmente, bem gorda) para a conta dos dirigentes. Nada de investimentos em infra-estrutura, sonho de consumo de qualquer atleta hoje no futebol brasileiro. Mau desenvolvimento nas categorias de base, mal desenvolvimento do time profissional...maus resultados em campo. Óbvia essa equação!
É complicado se traçar um prognóstico, mas mesmo assim me arrisco a dizer que nosso campeonato local em pouco tempo estará minguando como os demais campeonatos sul-americanos. Times grandes são obrigados a aceitar refugos de outras equipes, montando plantéis sem qualquer brio e identidade. Perde-se a noção do que é vestir uma camisa do Flamengo, Botafogo, Palmeiras, Vasco, Atlético Mineiro e tantos outros. A paixão do torcedor é cada vez mais desvalorizada com tudo isso. Até quando ela vai durar? Isso, só vocês podem responder.
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