Pesquisar este blog

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Refletindo sobre a greve

Na próxima terça-feira, às 15h, os professores da UERJ entram em Assembléia para sacramentar uma nada surpreendente greve. Com isso, alunos já lamentam formaturas atrasadas e aulas no verão ensolarado. Outros, porém, consideram a causa justa e aderem aos professores e funcionários, estes descontentes com os baixos salários e as más condições de trabalho. Por outro lado, ventila-se nos corredores que esta greve conta com a presença de partidos, interessados em enfraquecer o governo para as eleições deste ano. A questão central é: a Uerj precisa de mudanças urgentes para frear a crescente perda de qualidade na formação dos alunos. E nós, por nossas vezes, pouco nos preocupamos em entender a situação. Sem perceber

Ontem à noite, por volta das 21h30, saía pelo portão principal da Uerj quando me deparei com um pequeno grupo de estudantes, no que fora um pouco mais cedo uma manifestação. Fui conversar com o cara que tocava o bumbo, e este já cansado do tanto que deve ter batido aquilo ali, me atendeu sem o menor problema:

O que está rolando aqui?
Estamos protestando contra esta universidade, que está uma merda!
É cara, mais uma greve para foder a gente. Vai atrasar a formatura de vários alunos - comentei
Será? Se a coisa continuar como está, daqui há dez anos o nível desta universidade vai estar uma porcaria, como várias outras por ai. A gente tem que pensar no coletivo: não passamos por aqui apenas para nos formar e ponto final. E quem vier depois estudar aqui, como fica? O salário dos professores aqui é ridículo, 500 reais para um cara dar aula! Estuda para caralho para dar
É...as coisas por aqui tem sido “empurradas com a barriga”, observei.
Perguntou qual o meu curso (jornalismo) e se estava satisfeito com as condições da minha faculdade. Respondi-lhe que as coisas haviam melhorado, mas os laboratórios não estavam lá na melhor das condições. Nos despedimos e fui tomar uma cerveja.

O governo se nega a investir os tais 6% da receita tributária líquida na UERJ, UENF e UEZO (esta última, coitada, nem campus tem: as aulas são ministradas em prédios alugados e escolas da Zona Oeste). O bandejão, tão difícil de sair do papel, quando sai não atende à demanda dos alunos corretamente. “Demorei uns 35 minutos para comer lá dia desses”, reclamou um amigo meu. Coordenadores de laboratórios precisam encaminhar projetos para a FAPERJ se quiserem mais recursos para desenvolver a formação prática dos alunos. Professores e funcionários ganham uma mixaria. Enquanto isso...o orçamento do estado não para de crescer.

Enquanto isso, a universidade continua sucateada. E nós, alunos, vamos nos formando como se nada disso tivesse qualquer relevância.

O bate-papo com o aluno tocador de bumbo foi muito útil para despertar minha cabeça, e me fazer refletir um pouco sobre o assunto. Se a greve é justa ou não, depende do ponto de vista. Injusto é a universidade continuar com seus problemas “empurrados com a barriga”. Era questão de tempo ela estourar novamente, e tem muita lógica ela ocorrer justamente no ano de eleições, o momento mais propício para chamar atenção e despertar a curiosidade da opinião pública. E nós, alunos, deveríamos prestar um pouco mais de atenção nos motivos dessa greve. Não digo para apoiarmos, mas pelo menos nos propormos um pouco mais ao debate, para que possam ser formuladas opiniões mais embasadas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário