
Em pesquisa realizada pelo Datafolha na semana passada, Haddad aparece com 8% dos votos, contra 30% de Serra. O motivo? Um pouco mais de exposição na TV com o presidente Lula. Em troca de mais 1 minuto e meio no horário eleitoral (acredite, isso é muita coisa), o PT sela essa aliança com corrupto Maluf, um clássico "rouba, mas faz", com um eleitorado decadente mas ainda expressivo em São Paulo. Além do tempo de TV (fundamental para um candidato desconhecido como Haddad), Maluf vai garantir mais uma boa fatia de votos para o petista. Atrás desses votos estava Serra, desagradado em perder o apoio de Maluf para o PT.
A questão é: onde entra a ideologia do PT nesta história? Ao meu ver, ela só vai entrar depois de assumido o governo: no momento, ela fica em segundo plano, pois o mais importante é garantir a eleição de Haddad, custe o que custar. Até mesmo uma aliança com Paulo Maluf. Haddad precisa dos votos do deputado, caso contrário eles iriam para José Serra, e aí suas chances de vitória diminuiriam consideravelmente.
É muito fácil para a esquerda oposicionista criticar o Partido dos Trabalhadores, mas a eles faço uma pergunta: o que fariam caso estivessem na situação? E de que forma planejam um dia serem eleitos? Se a resposta for algo como "preferimos perder a eleição a nos sujeitarmos a esse tipo de coisa", alguma coisa está errada.
É claro que o grande número de alianças realizadas pelo PT nas últimas eleições vêm desagradando o eleitor petista, e dando ao partido uma imagem de "vendido". Mas, devido a essa verdadeira orgia pluripartidária, onde partidos são criados à base de interesses pessoais, coligações são montadas com base em necessidades políticas (votos, secretarias, ministérios, tempo de TV), em detrimento das afinidades ideológicas. A aliança com Maluf fere o ego petista, mas política no Brasil é assim: ou você cola com o lobo e vai à caça dos seus interesses, ou faz o papel do cordeiro que berra, berra mas não sai do lugar.
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