Pesquisar este blog

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O drama dos hermanos

A seleção argentina que disputa esta Copa América sofre do mesmo problema dos esquadroes anteriores da albiceleste: ótimos jogadores que não conseguem se agrupar como bom time, além de não suportarem a pressão dos momentos decisivos. O problema, portanto, não é de hoje.


O time que jogou a última Copa não tinha padrão tático e sofria demais na defesa. Prova disso foi a classificação sofrida para o Mundial, sob o comando do aventureiro Maradona, substituto de Alfio Basile. Este, sim, era um treinador experimentado e credenciado a conduzir os hermanos rumo a grande participação na África do Sul, mas infelizmente não deu certo.

Quando se anunciou sua demissão, a possibilidade de Maradona comandar a Argentina gerava polêmica: sem dúvida seria um fator motivacional para os jogadores serem comandados pelo maior ídolo da história de seu futebol. Mas a falta de experiência de Dieguito como técnico, num momento difícil da Argentina nas eliminatórias, poderia causar problemas. Faltavam oito jogos para a decisão dos classificados, e uma Argentina sem padrão de jogo e com campanha claudicante teria jogos dificeis pela frente, contra Equador, Bolívia (times fracos, mas com a altitude a seu favor) e Paraguai fora de casa, além da visita sempre incômoda do Brasil. Maradona era uma escolha arriscada, mas acabou dando certo e apesar de ter perdido justamente os quatro confrontos citados, o time abocanhou a última vaga direta com uma sofrida vitória contra o Uruguai.

Veio o Mundial, e os problemas na defesa se fizeram evidentes durante a primeira fase da competição, mesmo contra as fracas Nigéria, Coréia do Sul e Grécia. Contra o México, o ataque tratou de pulverizar os Aztecas, dando algum alívio para os defensores. Mas a atuação contra a Alemanha, que deu fim ao sonho argentino de ganhar a Copa após 24 anos, registrou definitivamente o mal desempenho do sistema defensivo. Com Otamendi, De Michellis, Gutiérrez e Heinze entre os titulares, o descarte de Zanetti e Cambiasso era inexplicável...

Vale relembrar, ainda, que o atual técnico Sergio Batista, o principal concorrente de Dieguito para o lugar de Coco Basile, estava prestigiado com o título olímpico de Pequim, e uma atitude mais racional o colocaria no comando da albiceleste. Após o belo trabalho com o time olímpico, Batista teria a maior oportunidade de sua carreira, um prêmio justo para quem já demonstrara talento no comando técnico da camisa argentina. Mas Grondona, o presidente da AFA, preferiu quem demonstrara um talento sobrenatural com a mesma camisa, só que dentro de campo.

A Argentina voltou para casa, recebida com muita festa (apesar da eliminação!!) e fortes apelos da torcida para Diego Maradona continuar no cargo. Mais uma vez cabia a decisão a Grondona: manter sua tão querida aposta ou lançar um treinador de verdade. Toda a população argentina dotada de senso critico apoiara a segunda opção, e assim se fez: o presida resolveu dar uma chance a Sergio Batista. Desde então foram 13 jogos amistosos comandando a principal, com 8 vitórias, 3 empates e duas derrotas. Entretanto, foram muitos jogadores utilizados, várias formações diferentes, ou seja, a Argentina segue sem a definição e entrosamento necessários para deslanchar nos gramados. Batista pecou nesse excesso de testes, e a essas horas deve estar se arrependendo disto.

Prova disto são as atuações na Copa América, na qual é a anfitriã. Dois empates frustrantes contra Bolívia e Colômbia, sendo este ultimo jogo um empate com sabor de vitoria, dada a supremacia do adversario durante a partida. Vaias, vaias e mais vaias para Batista, que se vê diante de um jogo decisivo contra a Costa Rica (sub-22, nunca é demais lembrar) com um time de muitíssima qualidade individual, mas muito nervoso. Se mantiverem a calma e não deixarem a pressão das arquibancadas infestar o gramado, saem de campo com uma vitoria expressiva, o pontapé para a disputa do título. A goleada trará a confiança necessária para que os hermanos joguem seu melhor futebol e avancem para a final. Quebrar o jejum de títulos oficiais dentro de casa seria o apogeu para Batista, Messi, Tevez e companhia.

Cá entre nós: eles não vão deixar passar esta oportunidade.