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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Colírios Freixo

Assisti ao Roda Viva de segunda-feira com o deputado estadual Marcelo Freixo. Após ser sabatinado pela bancada de repórteres, a maioria ávida (sem sucesso) por colocá-lo na parede, o pré-candidato pelo PSOL à prefeitura do Rio de Janeiro deixou uma certeza: vem para abalar positivamente a política carioca. Como explicitou durante o debate com os jornalistas, ele representa uma nova forma de fazer política: sem coligações interesseiras em troca de minutos na TV e financiamentos mal-explicados, mas baseada em convicções ideológicas, uma reputação incontestável e ares de mudança. Se vai dar certo, carioca, depende de você.

Talvez o maior adversário de Freixo seja a mencionada auto-estima recente do carioca. A euforia cega da população com o atual momento econômico e midiático do Rio de Janeiro – cidade Olímpica, sede da Copa e da Rio + 20 – faz Freixo soar como um mala-sem-alça mais preocupado em falar de desgraças. De fato, o segundo deputado mais votado no estado paga o preço por ser o único a “bater de frente” com a dobradinha peemedebista a frente do Rio de Janeiro, pois prefere ir na contramão da sociedade e questionar os escândalos de corrupção e superfaturamento, mazelas na saúde e na educação ao invés de valorizar o Projeto Olímpico e todas as “melhorias” em curso na cidade. Prefere observar que a construção da cidade está muito mais voltada para os empreiteiros e os turistas do que para a população. Pagamos a conta e enchemos o bolso dos empreiteiros para uma farra da qual não faremos parte.

Se a auto-estima e o orgulho do carioca têm crescido nos últimos anos em função de UPPs, projetos olímpicos e Copa do Mundo, ela deveria estar tão baixa quanto os salários dos professores, o nível dos colégios e hospitais, a qualidade do transporte público, a cobertura de saneamento básico em diversas moradias da cidade. Mas não, preferimos aplaudir o prefeito que vai trazer os gringos para cá, atraindo a atenção dos mais poderosos para cá. É chique sediar uma Olimpíada, cara! É chique sediar a final da Copa do Mundo, apesar de que só vou assistir pela TV... Mas ó, “tamo”ficando importante!

Estamos ficando importantes, chiques e “ricos”. Uma cidade rica para os empreiteiros e turistas, e “rica” para sua população. Não é preciso ser psicólogo para constatar que ao ser humano não precisa ter, basta parecer que tem. O modelo de sociedade midiatizado não busca uma população mais esclarecida, busca um povo cego, consumista e ambicioso por glamour. Da ignorância da população se aproveitam Cabral, Eduardo Paes e seus aliados; contra ela navega o isolado Marcelo Freixo.


Vencendo ou não esta eleição, sua candidatura talvez seja uma oportunidade única de se ampliar o debate político à população carioca, abrindo seus olhos e mudando este sentimento de falso glamour que só não enxerga quem não quer ou quem, infelizmente, já está com a visão comprometida demais. Vai um colírio aí?



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