Domingo agradável no Centro Cultural Justiça Federal. Assisti aos filmes "My Lai - O Massacre" e "Mama Africa". Recomendo o primeiro a todos os interessados pela história da Guerra do Vietnam e suas seqüelas, e o segundo a quem tiver interesse em compartilhar uma visão do continente africano diferente do que estamos acostumados a ver nas manchetes frequentemente.
O documentário Mama África se constitui de uma série de entrevistas com diversos africanos de norte a sul. De ambulantes e outros comerciantes ilegais a músicos, jornalistas, escritores, poetas e pensadores, que manifestaram suas diversas opiniões sobre o continente onde vivem, a forma (equivocada) como as pessoas o enxergam e conduziram a equipe do filme e toda a platéia a um passeio por Marrocos, Gana, Senegal, Guinea, Moçambique e outros. Muita dança, música e pintura bem peculiares, com o jeitão do povo africano: alegre e multicolorido.
A África rica. Rica de cultura, alegria, de gente otimista e lutadora. Como já dizia a frase de abertura do filme, o problema dos estereótipos não é que estejam errados, e sim incompletos. Uma África cheia de problemas, com pobreza e corrupção acentuada, tráfico de drogas e armas, guerrilhas, pirataria (estou falando de piratas de verdade, não vendedores ambulantes), altos indices de HIV e etc. Essa África existe, de fato, mas por lá também há gente inteligente, consciente da sociedade global, talentosa, orgulhosa e com muitas, muitas variantes culturais.
Não se espante quando eu digo orgulhosa. Assim se declarou um dos entrevistados, que diz ser a África "o berço de todos os povos". Todos os povos descendem do continente africano, são filhos de "Mama África".
Uma abordagem interessantíssima do filme foi a do papel da mulher africana. Como em qualquer lugar do mundo, fica sempre responsável por cuidar da família e dos afazeres domésticos. Mas hoje vemos uma realidade bem diferente, felizmente, com muitas mulheres no mercado, competindo com os homens e etc. Mas senti que por lá, apesar dos avanços, foi mais difícil para elas conseguirem conquistar esse espaço. Inusitados cargos e profissões, como Ministra da Defesa em Guinea a capitã de barco pesqueiro no Senegal, essas mulheres lutam muito para conquistar seu espaço. "Dizem que vou morrer solteira, você se parece muito com os homens", afirmou a capitã. Quando pensou em desisitir, foi conversar com o chefe. Ele a demoveu da ideia. "Se o chefe aprovou, então é porque não há problema", disse aos risos.
A África também tem gente que pensa, que canta e que dança, e não são apenas aqueles grupos que você viu especialmente na Copa do Mundo. Isso tem todo dia, em toda luta, com o orgulho de ser o descendente mais direto de Mama África.
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